nunca foi moça de falar da vida
mais vivia que falava
andava apressada
tropeçava nos dias
e caía na cama para o sonho chegar fazendo ela dormir
a vida se mostrava aos pedacinhos
na alegria miúda das horas
ou na espera pelo depois
da moça vieram outras
duas
as três cresceram juntas
alternando os papéis que diziam ser de cada uma
eram mães e filhas
o presente de ser mulher chegou sem laços de fita
ela teve que aprender a envolver com ternura
a si mesma
e aos outros
não foi lá tão fácil achar seda para o laço
mas a moça teimou
e chegou até aqui
tem ainda caminho pela frente
bonito como o moço que agora vai com ela
todo dia refaz vontade de dar certo
pede proteção
agradece pela vida
anda por aí juntando retalhos conforme o tempo
os de agora são tão coloridos que dão orgulho de se ver
Dulce (06-12-17)
As palavras me escondem sem cuidado...
Uso palavras emprestadas para dizer quem sou Encontro sempre um modo de parecer quem quero Quando meio Adélia invento um passado e mostro-me mulher madura Noutro dia sendo Clarice encontro mistérios em mim Florbela é o auge da intenção de desnudar-me sangrenta Brinco de inventar com o Rosa Simplifico sentimentos ao parecer Quintana Valso com Chico ao sentir-me mulher Drummond me ajuda a carregar o mundo E vou assim tal qual personagem sem rosto
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
segunda-feira, 3 de julho de 2017
o cosmo espreita a dança
da mulher com seu homem
como se nunca o tempo fosse outro
o começo dos sentidos
a inauguração dos corpos
não há outras marcas na pele lisa recém escrita à mão
e então começa a história
de um corpo para o outro
eles se reconhecem soltos
dispostos apenas a prender destino imaginário
no movimento das ancas
nos dedos que sobem e descem
nas mãos quentes
dos que moldam figuras de ferro
e constroem castelo de areia
onde moram cavaleiros e princesas
cavalos marrons soltos
e navios ancorados à espera
de tudo querem o gozo verdadeiro
o que nasce do silêncio e se prolonga nos gemidos sem pressa
do pouco
tudo
aos dois foi dado o direito aos pedidos mágicos jogados ao vento
e cumpriu-se o que ainda não tem nome

terça-feira, 30 de maio de 2017
Senhora dona dos ventos
leve minha cantiga ao cavaleiro que vive do outro lado do mar.
Cavaleiro dos meus escritos,
de quem cuido como quem prepara os ritos ,
receba meu coração por inteiro!
Cavaleiro das minhas histórias,
contadas pelas penas e tintas de suas vitórias,
receba meu dia como o primeiro!
Cavaleiro dono da lua,
a quem me entrego na noite nua,
receba meu desejo queimando ligeiro!
Cavaleiro dos tempos de ouro,
de lugares inimagináveis onde se guarda o tesouro,
receba de sua amada o amor mais verdadeiro!
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
saiu de sapatos novos
sabia do incômodo
e assim mesmo foi
nos primeiros passos ainda se lembrava deles
dos sapatos guardados por muito uso
não teve coragem de jogar fora
estavam em bom estado
isso
mantinham a forma intacta e a aparência apresentável
como os que se encaixam na velha rotina dos dias
tirar de uma só vez
impossível
e bem no dia que entrou pra comprar outros se descuidou e perdeu a identidade
procurou na bolsa
no chão da loja
e quando achou parecia meio amassada
se reconheceu no retrato de alguns anos atrás e lembrou a necessidade de tirar o ultimo nome
não era mais seu
faria outro dia
passado um tempo
já não tropeça
perdeu também o medo de virar o pé
mas ainda se sente mais à vontade descalça
aí sim
descompromissada
caminha mais firme
só que insiste em parecer mulher segura sobre os saltos
quem a vê passar por aí
só os mais atentos percebem
as pernas ainda meio bambas
de resto
segue firme
sabia do incômodo
e assim mesmo foi
nos primeiros passos ainda se lembrava deles
dos sapatos guardados por muito uso
não teve coragem de jogar fora
estavam em bom estado
isso
mantinham a forma intacta e a aparência apresentável
como os que se encaixam na velha rotina dos dias
tirar de uma só vez
impossível
e bem no dia que entrou pra comprar outros se descuidou e perdeu a identidade
procurou na bolsa
no chão da loja
e quando achou parecia meio amassada
se reconheceu no retrato de alguns anos atrás e lembrou a necessidade de tirar o ultimo nome
não era mais seu
faria outro dia
passado um tempo
já não tropeça
perdeu também o medo de virar o pé
mas ainda se sente mais à vontade descalça
aí sim
descompromissada
caminha mais firme
só que insiste em parecer mulher segura sobre os saltos
quem a vê passar por aí
só os mais atentos percebem
as pernas ainda meio bambas
de resto
segue firme
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
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